A estratégia de votar Seguro

 


 

 Ultrapassamos o tempo em que ser presidente de uma república não exigia muito mais do que ser figura decorativa e de consensos ou, por outro lado, de intervenção governativa e volatibilidade ao invés de sanção às políticas de oportunismo (o mediatismo observado pelo ainda presidente de muitos portugueses mas não o meu) . Hoje em dia, o presidente da república não pode basear os seus poderes em representar(-se), somente, o candidato de carisma e de imparcialidade partidária. Tem de ir além, por uma questão de exigência temporal e de idealismo futuro. Tal como ouvi António Seguro referir, o presidente tem que se adequar a uma convergência totalmente inédita, a novos interesses dinâmicos e a uma conjuntura difícil que se faz sentir e que exige esse dinamismo e abertura para fazer face ao futuro. Dispensamos tudo o resto. Votar no homem ao invés de votar nas políticas e figuras fantasmagóricas da esquerda ou da direita. Votar num candidato que não apoie a violência como recurso utilitário e inconsequente. Não vale tudo. E ainda bem.

Votei Seguro por dois motivos.

O primeiro motivo foi estratégico: Não concebo coexistir com políticas de direita, sobretudo se forem extremas. E são-no, em Portugal, se o permitirmos. Já vivemos nessa reprise. Vivemos abaixo do nível de dignidade de todos os "parceiros" da UE, basta que olhemos para a falta de estruturas e de condições necessárias para fazer jus à inflação da vida, assim constam exemplo disso os salários mais baixos, maior desemprego, falta de proteção na saúde, educacional, jurídica, apoios às rendas nas camadas mais jovens. A direita não nos servirá. A direita é dos "democratas" que se autointitulam sociais democratas mas são-no para si mesmos e com os amigos e clientelismo com que nos habituaram. Ventura nunca fará parte de uma convergência de interesses populares para elevar o povo ao que ele representa nesta democracia. O povo tem de ser o que mais ordena. É com base neste número que devemos negar acesso a todos os fantasistas e manipuladores políticos. Seria uma aventura suicidária votar nesta força obscura pseudo-política que conquista os cegos e aos que se deixam seduzir por mediatismos e fait divers. 

O segundo motivo envolve duas partes da equação: a parte racional de identificação com pessoas e não com forças partidárias. Seguro foi humilhado há muitos anos atrás. Não estava pronto para um cargo político de grande monta. Sentia-se fragilizado. O seu nome ajudou aos resultados, quiçá. Carregar um nome que pressupõe capacidades de resiliência, de persistência e de continuidade tem e fabrica os seus quês. Se nos dispusermos a avaliar psicologicamente a fragilidade da esquerda ou da direita, diria que a direita não produz qualquer tipo de ressentimentos ou remorsos pelas políticas por si desenvolvidas, até então vividas. Muitos políticos da direita deveriam estar presas, se em Sócrates recaem todas as culpas. Não digo que não as tem. Refiro apenas que, se Sócrates consiste numa das falhas da esquerda, então, teremos "milhentos" (só para referir diversidade e quantidade na direita) que deveriam ter sido presos antes deste. A outra parte da equação é que ainda trago dentro de mim a semente que me foi transferida pelo meu pai que era um socialista assumido e que, na altura do 25 de Abril consistia em parte da oposição que derrotou o estado novo. O fascismo. Foram os idealistas do socialismo. Que dentro de mim ainda ecoam com Humanismo e não desumanidades ou acentuação de desigualdades. Seguro não é o Costa. Seguro é a minha aposta para a isenção de politiquices e para o dinamismo necessário. Dar força e apostar na juventude para o que vem.  

Gostaria que não houvesse ameaças extremistas ao regime democrático para poder votar com a pessoa com que mais me identifico. O senhor António Filipe. Não o pude fazer porque estaria a fragmentar a esquerda e a dar força à direita extrema que abomino. Gostaria de poder dar voz ao género feminino, por acreditar que mulheres no poder trazem mais isenção e diplomacia mas, infelizmente, estaria a ser idealista académica, quando estamos necessitados de realidades práticas. Daí votar Seguro. A segurança da esquerda unida. Não me considero vitoriosa através do meu voto. Considero à maioria estratega. E muito bem. Votem com mais força neste caminho, para a segunda volta. Não vão em (a)venturas. Não estamos em LaLaLand. 

A segunda volta terá que ser mais coesa. Ganhar ao conformismo da abstenção e entender que a expressão de voto é mais do que isso mesmo. É a certeza de não termos de viver nos radicalismos e malabarismos de forças escusas e externas a nós que prometem o mundo embrulhado em papel celofane, colorido e novo e, não passam do mais do mesmo, para pior. Muito pior. Seguro representa, a meu ver, o caminho do meio, na amálgama de todas as outras possibilidades. Não se deixem enganar. Os bolos vão para os tolos, até que se acabe a performance. 

Comentários

Mensagens populares