Erik Steckel & Culpa minha
Precisas do sim escrito.
Um sim à tua pergunta.
Um sim aos inícios, aos meios,
um sim aos fins significativos.
Um sim
Para acalmar receios.
Sentava-me horas e contava minutos
encerrando as esperanças, modestas,
já sei, um sim a essa pergunta.
Longe, bem longe, desfilavam
todas as embarcações,
pequenas e grandes,
destilando saudades de casa
e poentes colhidos mares fora.
Os relógios paravam no molhe,
o azul escuro das águas
cravava em mim memórias
que só ali emergiam...
sim, sim, sim.
Uma maresia prenha,
um parto de oceanias.
Sim, ainda penso em ti.
E hoje, quando dele me aproximo
me deixo transportar, alucino.
Uma mulher e uma caixinha de recordações.
Esta mulher no molhe de todas as perguntas
Num mar de todas as lamentações.
Sim, guardo-te sempre comigo.
Prometo. Entalado no peito.
Que o tempo mirrou. Obsoleto

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